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O JOVEM GENERAL – EPISÓDIO NR 45 - O Todo Poderoso no mar.

O sequestro do guerrilheiro José Arribias e da presidenta do PS colocou a Esquerda em alerta. O presidente se manifesta entre os correligionários e seus ministros, porém nada comenta nos meios de comunicação civis. O presidente do Conselho dos Estrategos se reúne com os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica e exige uma providência urgente. No Alto Comando do Exército, os generais decidem adiar o ataque à Santa Maria, tendo em vista o sequestro do Comandante Militar do Sul. Mas, resolvem aumentar a quantidade de unidades militares que irão operar na região. Agora, todos os quartéis do Contestado, Sana Catarina e Sacramento entram em prontidão máxima e devem estar prontos para se deslocar para Santa Maria. A Aeronáutica aumenta o limite aéreo para ação em Santa Maria até a Base Aérea de Anápolis, em Goyaz. A Marinha deslocará navios de transporte de cargas e contratorpedeiros para o litoral sacramentense com capacidade de utilizar mísseis de grande alcance. No país, uma greve geral foi programada para o domingo próximo. A Direita vai parar o país na segunda-feira. Nas estradas, principalmente dos Estados do Sul, os caminhoneiros começam a ocupar os acostamentos. Pretendem impedir qualquer deslocamento de tropa por via terrestre. Nos quartéis, já é evidente o apoio às tropas de Santa Maria. Coronéis comandantes e oficiais superiores já analisam a possibilidade de emprego geral da tropa. Os sargentos e demais praças se reúnem nos Clubes para dar apoio à Santa Maria. É domingo. A greve geral inicia em várias capitais do país. A praia de Copacabana, província do Rio de janeiro, está lotada de manifestantes. A Bandeira Nacional volta a tremular nos braços dos patriotas. Nem o sol quente, típico para ir à praia, impediu que as pessoas fossem à manifestação contra o governo e a favor de Santa Maria. Algumas horas atrás, às 04:04 da manhã, em Santa Maria. O coronel Snipell, juntamente com o major Skrieger, entram na cela do Todo Poderoso. Rapidamente o algemam e o retiram da cela. O Todo Poderoso começa a chorar e a implorar para não morrer. Psicologicamente ele está extremamente frágil. O tempo de reclusão total na cela o deixou confuso mentalmente. “Calma, tchê! Ainda não sabes para onde estamos te levando!” – fala o coronel. “Mas, eu imagino. Não façam nada comigo. Tenho família, meus filhos, minha mulher! Tenho relatórios inteiros com provas de todo mundo, dos seus amigos da Direita. Eu passo tudo para vocês”. O coronel retruca: “O seu “laptop” nos forneceu informações importantes”. O Todo Poderoso ainda tenta persuadir o coronel: “Eu falo tudo agora! Coloquem-me de frente a uma câmera de vídeo e falo tudo, tudo! Eu também absolvo todo mundo, todos que vocês quiserem!”. O coronel olha para o Todo Poderoso com desprezo e não fala nada, apenas o leva para fora da cela. Pouco depois o avião particular decola com destino à província do Rio de Janeiro, levando o Todo Poderoso. Algum tempo depois, às 11:00 horas, o jatinho pousa no aeroporto local. Dois veículos se aproximam e transportam os passageiros e se direcionam à Marina da Glorificação, ali perto. Logo depois, às 13:03 horas, uma lancha se aproxima da praia de Copacabana, na altura do posto Salva-Vidas nr. 6. Dois homens apoiam um outro homem à bombordo do barco e o conduzem para a popa. O coronel Snipell aponta para a Copacabana e fala ao Todo Poderoso: “Está vendo aquela multidão? É uma grande manifestação da Direita contra o seu governo e contra as suas aberrações jurídicas. Imagina deixar você no meio deles. Eles o reconhecerão e, naturalmente, você sentiria a alegria deles ao vê-lo ali, em “carne e osso”. O Todo Poderoso arregala os olhos e recua, tentando retornar ao interior da lancha. Uma prancha de “surf” é lançada ao mar. “Você está livre, Todo Poderoso. Agora só depende de você!” – diz o coronel Snipell. Depois o empurra para a água. Estão a menos de duzentos metros da areia, próximos da praia. A ondas estão leves e há uma corrente conduzindo para a terra. O Todo Poderoso, meio desajeitado, consegue segurar-se na prancha. Mas, ao invés de remar para a terra ele tenta retornar para a lancha. O piloto acelera levemente o motor e a lancha se afasta um pouco. O Todo Poderoso se desespera e dana a gritar como um desvairado. Ele fica se debatendo por alguns minutos na vã tentativa de seguir a lancha. Pouco depois, a lancha dá meia volta e se aproxima do Todo Poderoso. Em poucos minutos o Todo Poderoso é puxado para bordo. Ele está exausto, bebeu água salgada e quase arrancou as unhas da mão de tanta força que fez para segurar a prancha. Ele é colocado sentado no interior da lancha e o coronel Snipell lhe fala: “Trouxemos você aqui para que saiba que a sua vida não vale uma gota da água desse mar. Bastaria deixar você naquela praia e os manifestantes o esfolariam vivo”. O Todo Poderoso, ainda chocado, só balança afirmativamente a cabeça careca. O coronel continua: “A Resistência Patriótica vai deixar você livre. Nós vamos libertar você. Com a condição de que você trabalhe para nós e faça somente o que lhe for mandado”. O Todo Poderoso balança a cabeça e fala: “Sim, sim, farei tudo o que vocês mandarem. Tudo!”. O seu desespero é tal que o raciocínio já fugiu da sua mente há muito tempo. Ele age como se estivesse numa enorme correnteza e as águas o dominam completamente. O que mais deseja é sobreviver, sair daquela pressão do mar da morte onde caiu. Tem consciência que a sua vida corre grande risco. Certamente, logo à frente haverá uma “onda” que lhe será fatal. O coronel sorri e dá uma tapinha no rosto do Todo Poderoso e diz: “Ótimo!”. A lancha entra na Baía da Guanabara e segue destino ao cais próximo ao centro da cidade. Duas horas depois o Todo Poderoso dá entrada na sala de cirurgia de um Hospital. Uma equipe de médicos israelenses o aguarda.

Elias Do Brasil

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