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EPISÓDIO NR 43 - O JOVEM GENERAL – acerto de contas

Atualizado: 3 de dez. de 2023


O terrorista José Arrubias pertenceu ao “Movimento de Libertação Popular – MOLIPO”, um grupo terrorista que atuava em ataques à mão armada, sequestros e roubo a bancos, na década de 1970. Ele era conhecido pela alcunha de “Daniel”, presidiu a União Estadual dos Estudantes, firmando-se como líder estudantil. Treinou técnicas de guerrilha em Cuba, com intenso treinamento militar, quando se juntou ao MOLIPO. Em 1971, depois de retornar ao país, vindo de Cuba, passa a viver clandestinamente na cidade de São Paulo e cidades do Estado de Santo Aleixo, no Nordeste. No 1º piso do subsolo, logo cedo, a presidenta do PS e o terrorista José Arrubias, quase vizinhos de cela, iniciam uma gritaria. No piso abaixo, o Todo Poderoso se assusta com o barulho e fica atento. Em poucos minutos o major Skrieger e o sargento Matias descem até lá. “Até que enfim, seus porcos imundos! Isso aqui está uma imundície!” – a presidenta está irada, xinga todos os palavrões que conseguiu guardar na sua mente impura. Do outro lado, separado por uma cela no meio dos dois, mais comedido nos xingamentos, o terrorista Arrubias chacoalha a porta da cela e grita sem parar, como um louco. O major Skrieger abre a porta da cela da presidenta e entra. O sargento Matias fica do lado de fora. “E agora, vai me bater outra vez, machão! Veado, quem bate em mulher é ve(...)”. O soco vai direto na testa da mulher e ela recua até bater na parede e cair como um saco de batata, desmaiada. Quando, numa aula de Equitação na Academia Militar Agulhas Negras, o então cadete Skrieger, cometeu a terrível maldade de dar um soco na testa de um cavalo rebelde que teimava em não se deixar encilhar. O cavalo caiu sentado no chão. Para o cadete restou 30 dias de prisão e a missão de, durante o período de prisão, ir todo dia, de manhã e à noite limpar as baias e a estrumeira dos animais. Em seguida, ele sai da cela da presidente e fecha a porta. José Arribias silencia após ouvir o baque da queda do corpo da “companheira” e o imediato silêncio. O major Skrieger se aproxima da cela do guerrilheiro. Há um silêncio aterrador. Talvez, se o guerrilheiro fosse jovem e irresponsável, como na época em que foi líder estudantil em São Paulo, talvez ele “peitasse” o major e o sargento. Mas, resolve dar um sorriso amarelo e diz: “Calma, gente! Fizemos isso só para quebrar o marasmo. Está tudo muito quieto por aqui”. O major olha para o sargento Matias e diz: “É todo seu”. O sargento Matias adentra à cela. O guerrilheiro se afasta. Ele não sabe explicar, mas aquele sargento é um dos poucos homens que conheceu na vida que lhe causa temor. O olhar dele é o olhar do diabo - Pensa. O sargento Matias fica de um lado da cela, com o pé esquerdo escorado na parede e olhando para o guerrilheiro. Nessa posição fica mais visível o enorme facão de selva pendurado na sua cintura. O terrorista olha para o facão e sente um arrepio no corpo. Mas, procura manter a calma. O barulho do baque no chão e o silêncio imediato da sua presidente lhe indica que, talvez, tenham ido longe demais nas reclamações. Ali, naquele lugar, como está, não há lei, não há regras, o preso não tem nenhum direito nacional e nem internacional. Como dar regras a quem jamais respeitou as leis? Como lidar com um assassino frio e calculista? Um criminoso da pior espécie? O sargento inicia sua fala: “O nome do meu pai era Gentil Procópio. E ele fazia justiça ao seu nome, pois era um gentil e competente motorista de taxi em Noronha, capital de Santo Aleixo, em 02/09/1971. Você e outro “cabra da peste” entraram no taxi dele no bairro de Madalena, com destino ao Hospital das Clínicas. Na hora de pagar, não veio o dinheiro, mas sim uma arma. Deram dois tiros nele e levaram o carro para usar em um assalto a banco. Minha mãe ficou viúva comigo na barriga e mais uma irmã”. Arrubias arregala os olhos, ele, vagamente, se lembra desse episódio. Mas, quem atirou não foi ele, foi o seu companheiro. Ele tenta se explicar: “Não sei bem o que está falando. Faz tanto tempo. Só sei que não matei ninguém em Noronha”. O sargento emenda: “Então acaba de confessar que esteve lá, seu desgraçado!”. O guerrilheiro diz: “Eu estive lá e em muitos outros lugares, não sei do que está falando”. O terrorista tenta se safar. O sargento Matias vai até o centro da cela. O guerrilheiro se afasta para um canto, o mais longe possível do sargento. Seus mais de setenta anos não lhe proporcionam energia e nem agilidade para enfrentar um oponente daquele, e ainda armado de um facão. De tudo o que fez e passou na vida toda, agora, nesse instante crucial, só lhe resta aquilo que sempre usou e abusou: a oratória da mentira e da ilusão, os ensinamentos de Marx e Gramsci. Mas, de que os seus mentores lhe servem perante aquele homem duro e de pouca cultura ali na sua frente? Ele desiste de seus filósofos comunistas e se ajoelha. “Não fui eu quem matou o seu pai, mesmo assim lhe peço perdão!”. Talvez, o lado religioso daquele imbecil o salve - Pensa. A lâmina escorrega rapidamente na bainha de couro cru e surge imponente na mão do sargento Matias. “Eu lhe imploro, não me faça nenhuma maldade! Veja, estou pedindo perdão!”. O sargento diz: “A minha mãe “comeu o pão que o diabo amassou” para me criar e à minha irmã. Você não sabe, seu miserável, o que é passar fome e olhar para as lágrimas de desespero da sua mãe, como a minha irmã me contou. Ela não tinha como dar comida a duas crianças pequenas, e se prostituiu até morrer alguns anos depois nas mãos de um maldito estivador, lá no cais”. O guerrilheiro observa o sargento se aproximar. A visão daquela lâmina lhe provoca um medo que jamais teve. Está aterrorizado. Imagina aquela lâmina lhe cortando o corpo. Talvez, preferisse levar um tiro. Ele não consegue conter e se urina, molhando as calças. Desesperado, implora: “Não, não faça nada comigo, pelo amor de Deus!”. O sargento Matias o interrompe: “Deus? Qual Deus, o meu que salva ou o seu que condena?”. O guerrilheiro ainda tenta argumentar: “O nosso, o mesmo Deus, Jesus filho de Maria. Não é assim que você conhece Deus?”. A lâmina corta o ar velozmente.

Elias Do Brasil

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