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EPISÓDIO NR 41 - O JOVEM GENERAL – Missão “Melancia”

Atualizado: 3 de dez. de 2023


“Melancia” foi um termo, uma neologia, criado na época das eleições presidenciais. Como a melancia é verde por fora e vermelha por dentro, significa que aquele militar que veste farda verde, do Exército, principalmente, é, na realidade, comunista e idolatra a bandeira vermelha. É uma alusão aos generais e alguns coronéis, principalmente os mais antigos, que, ao invés de combater o comunismo através de ação contra a Esquerda, resolveram escolher o lado mais fácil das suas carreiras, pelo menos aparentemente, e “viraram de lado”, apoiando ou não fazendo nada contra a Esquerda e suas maracutaias. Os chefes militares, pelo menos aqueles que ocupavam os cargos mais importantes das Forças Armadas, como o Alto Comando do Exército (ACE) não apoiaram a Direita, quando esse apoio era extremamente necessário, e se acovardaram na mudez dos fracos ou partiram para o apoio irrestrito à Esquerda por ambição pessoal e carreirismo. É o caso do Comandante Militar do Sul que já planejou o ataque à Santa Maria (em D-2), um general “4 estrelas”, isto é, no último estágio da carreira militar, o topo da carreira. Em Santa Maria, o CHEM recebeu a notícia de que o AGRO SUDESTE conseguiu as peças para o helicóptero H-36 Caracal, capaz de transportar 28 combatentes a mais de mil quilômetros de distância, e que os mecânicos estão finalizando a manutenção para o voo de teste. O coronel Ripell convocou o major Skrieger e já o mandou à frente para os preparativos da ação. Há a necessidade de providenciar, antecipadamente, o material de apoio necessário à missão “Melancia”. Um pequeno avião alugado pelo AGRO SUL transportou a equipe precursora na noite de D-2, isto é, quase dois dias antes do prazo de início de manobras militares para atacar Santa Maria, ordenadas pelo Comandante do Exército. Em Farroupilha, capital de Sacramento, são 06:00 horas. No centro da capital gaúcha, em frente à casa oficial do Comando Militar do Sul, o general Valstu acaba de embarcar na sua viatura oficial. O sedã segue em destino ao quartel do Comando Militar do Sul, na rua dos Andradas. Ele resolveu sair mais cedo para finalizar o planejamento de ataque à Santa Maria. Marcou reunião com o seu Estado-Maior. O dia está claro e o trânsito não está engarrafado. Na altura do cruzamento da avenida João Goulart com a rua dos Andradas, uma camionete “Van” escura, ultrapassa o carro oficial. Duas outras camionetes “Vans” se emparelham com o veículo oficial. De repente, a camionete que segue à frente para bruscamente, travando os pneus e forçando o motorista do veículo oficial a frear o carro. Há uma leve batida de para-choques. Imediatamente, as duas outras “Vans” freiam e param lado a lado a lado com o carro oficial. As portas laterais das “Vans” emparelhadas se abrem e, em cada uma, dois homens encapuzados, empunhando grandes marretas de ferro, quebram os vidros das janelas dos passageiros e do motorista. Do lado direito do veículo oficial está o general e do outro lado está o coronel ajudante-de-ordem, que o acompanha. O general se assusta e baixa a cabeça. Armas são apontadas para o ajudante-de-ordem e para o motorista. A porta onde está o general é aberta por dentro por um dos encapuzados. O general é literalmente arrancado do veículo por um homem extremamente forte, o major Skrieger, e levado para a “Van” ao lado. Nada é feito com o ajudante-de-ordem e com o motorista. Eles ficaram quietos e imóveis, respeitando as ordens dos encapuzados. A “Van” com o general arranca e segue velozmente pela avenida João Goulart. Tiros de pistola com silenciador furam os pneus do carro oficial. Um encapuzado leva a chave de ignição do carro. A ação dura menos de dois minutos. As duas “Vans”, depois dos outros encapuzados embarcarem, arrancam velozmente. Na avenida João Goulart, os poucos carros que circulavam pararam e os motoristas assistiram a tudo, surpresos, e sem saber o que acontecia ali. Ali perto, no estacionamento do Centro Histórico da Ponta da Cadeia, o H-36 Caracal acaba de aterrissar. Está à margem do rio Jacuí. As “Vans” chegam no estacionamento e ficam próximas ao helicóptero. Dois encapuzados levam o general, algemado, para o interior do H-36. Em seguida, todos embarcam na aeronave e abandonam as “Vans”, incendiando-as. O piloto sobe imediatamente, quase na vertical, fazendo as turbinas girarem ao máximo, sobrevoando o rio Jacuí. O general Valstu, assustado e indignado, pergunta, finalmente: “Quem são vocês e o que querem?”. O coronel Rippel retira o capuz: “Sou o coronel Rippel, general. O senhor, agora, está preso pela “Resistência Patriótica do Brasil”. O general, pasmo, sem acreditar no que está acontecendo e tremendo o corpo todo, reage; “Preso coisa nenhuma”! Baixem essa aeronave e me libertem já! Estou mandando!”. O coronel Rippel abre a porta lateral da aeronave, aprofunda o olhar nos olhos do general, e diz: “A única maneira do senhor sair daqui, general, é pulando lá fora. Esteja à vontade. Aliás, eu adoraria se o senhor fizesse isso!”. O general Valstu baixa a cabeça e se aquieta. O silêncio impera a bordo.


Elias Do Brasil


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