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EPISÓDIO NR 38 - O JOVEM GENERAL – invasão de terras

Atualizado: 3 de dez. de 2023


Numa fazenda, a 70 km de Ribeirão Cascalheira, região do Araguaia, em Xavante/XA. São 4 horas da manhã. Seis combatentes fortemente armados se deslocam pela mata próxima da sede da fazenda invadida. Há dez dias, os integrantes do Movimento Livre Sem Terras (MLST) invadiram a fazenda produtiva, com plantação de soja e algodão mais criação de gato “nelore”. São mais de 15 mil “cabeças de gado”. Os invasores expulsaram os empregados da fazenda e mataram dois funcionários com requintes de tortura. Eles queriam saber onde estava o dinheiro do pagamento dos empregados da fazenda. Foram queimadas várias máquinas colheitadeiras, tratores e caminhões da fazenda. Também, atearam fogo nas casas dos colonos e em parte da sede da fazenda. Um total de aproximadamente 100 invasores ocuparam a fazenda e reivindicam a posse da terra para dividir entre eles, segundo orientação do comando do MST, que se ampara no plano de Reforma Agrária do governo. O AGRO CENTRO-OESTE, por intermédio do AGRO SUL, solicitou o apoio de Santa Maria. O General determinou a criação de um Grupo de Combate (GC) para cumprir a missão em Mato Grosso. O comandante do grupo é o capitão Cid, com curso de Guerra na Selva e Comandos. Ele serviu no 2º Batalhão de Fronteira, em Cáceres/XA e conhece bem essa região. Com ele estão o sargento Matias, especialista em Caatinga e, também, com curso de Guerra na Selva e, também, segurança do General. Completam o Grupo de Combate, os tenentes Ives e Gandra, exímios atiradores e paraquedistas, mais um sargento operador de antena de “estação terrena”, via satélite, e um sargento com curso de Forças Especiais e enfermeiro. Um avião alugado pelo AGRO SUL saiu de Santa Maria e os levou até o aeroporto de Querência/XA, a 77 quilômetros de Ribeirão Cascalheira. Dali, seguiram em duas pick-up 4x4, cabine dupla, à diesel. Mais alguns quilômetros à frente, chegaram próximo à fazenda, onde foi finalizado o planejamento de ação. Os levantamentos preliminares fornecidos pelo AGRO CENTRO-OESTE indicaram que a liderança dos invasores está na sede da fazenda. No dia anterior choveu muito na região e o céu continua nublado à noite. Portanto, se tem uma noite escura. Todos os combatentes estão utilizando equipamento de visão noturna e mira a laser nas armas. O armamento é o fuzil de assalto IMBEL 5,56 IA2, com cadência de 730 tpm, adaptado com sistema de “silenciador de tiro” e carregadores de 30 estojos colados dois a dois, mais a bolsa de munição à tiracolo. O fardamento é o camuflado com utilização de colete à prova de tiros e cobertura de pano para a cabeça. Não há nas roupas nenhuma identificação, nem de origem, nem nominal, nem posto ou graduação. Os combatentes se aproximam da sede da fazenda. A um sinal do capitão Cid, eles se distribuem em três grupos. Um grupo entrará pela porta principal, um pelos fundos e o outro, um combatente de cada lado do casarão, para conter qualquer tentativa de fuga. São 4h22min. O casarão tem uma grande sala e um corredor longo onde ficam os quartos. Mais à direita, há a cozinha e a copa, com uma mesa de madeira para mais de dez pessoas. São 8 quartos, porém, a parte dos fundos foi queimada. Só há dois quartos utilizáveis. As rotas de fuga são pela entrada, pelos fundos e pelas janelas dos quartos e da cozinha. Os dois grupos entram ao mesmo tempo, pela frente e pelos fundos. Na sala há uma rede com alguém dormindo. Matias se aproxima e, num gesto rápido, degola o indivíduo. Os dois quartos são invadidos simultaneamente. Os fuzis espalham a morte rapidamente. Dois invasores ainda conseguem pegar as suas armas, mas são alvejados antes de reagir. Em minutos, 9 homens estão sendo arrastados para a sala, abatidos. Matias tira fotos de todos os dez invasores. Os outros combatentes retiram os documentos das roupas dos invasores e revistam todos os cômodos do casarão. Procuram provas da ligação deles com o comando central do MLST. Tudo é guardado em mochilas para posterior análise. Dali, saem para uma região de barracas, onde está o restante dos invasores. As casas dos colonos foram todas queimadas e não há como utilizar para abrigo. As barracas estão localizadas ao longo de uma estrada de chão que dá aceso à sede da fazenda. São em torno de 30 barracas. O capitão Cid orientou para não matar nenhum dos colonos invasores que estão nas barracas. Os combatentes, passam pelas barracas silenciosamente. Observam se há algum armamento com alguém. Em duas barracas eles encontram duas espingardas “cartucheiras”. Matias, furtivamente, as recolhe sem acordar ninguém. Depois de vistoriar as barracas, os combatentes vão cortando, uma a uma, as cordas de sustentação das barracas. Em poucos minutos todas as barracas estão caídas no chão e as pessoas embaixo, tentando se livrar dos panos e lonas de plástico e sair dali. Se ouve gritos e vozes nervosas. Duas lanternas fortíssimas, uma de cada lado da área, iluminam e cegam as pessoas. Algumas rajadas de tiro de fuzil (sem silenciador) são dadas para cima e seguidas da ordem de que todos fiquem na estrada e não saiam dali. Dois invasores tentaram fugir, mas uma rajada de tiros sobre as cabeças deles os obrigam a ficarem caídos no chão barrento. Em minutos, os combatentes conseguiram reunir os quase cem invasores, entre homens, mulheres. Eles são obrigados a ficar sentados no chão da estrada e vigiados com os holofotes. Três combatentes fazem o “pente fino” nas barracas à busca de mais documentos ou armamento escondido. Novamente, Matias tira foto dos invasores e faz vídeo. Meia hora depois, todos caminham na estrada de terra. O sargento enfermeiro fez o atendimento de emergência em alguns que se machucaram na queda das barracas. Os invasores são levados para fora da área da fazenda, há sete quilômetros dali. Já são 06:30 horas. Até o momento, nenhum dos combatentes conversou com algum invasor a não ser dar as ordens necessárias. O capitão Cid deixa todo os invasores sentados na estrada, logo após a porteira da fazenda. O tenente Gandra aponta o fuzil por cima da cabeça dos invasores e dá uma rajada de 30 tiros, passando rasante às cabeças dos mais altos. Todos se deitam imediatamente. O capitão Cid, somente então, se dirige aos invasores: “Não voltem nunca mais se vocês querem continuar vivos. Os mortos que estão na sede tiveram os mesmos destinos dos dois funcionários que vocês mataram. Essa é a nossa lei!”. Meia hora depois, os combatentes sobem nas pick-up e vão embora. Em Santa Maria, o CHEM recebe a mensagem do capitão Cid, via satélite: “Missão cumprida!”.

Elias Do Brasil.


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PIX: essim10@hotmail.com

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