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EPISÓDIO NR 37 - O JOVEM GENERAL – o terceiro discurso

Atualizado: 3 de dez. de 2023


Após cinco dias do início do Comboio, Santa Maria se tornou o centro de atenção de Porto Seguro e parte do mundo. Uma multidão de jornalistas invadiu Santa Maria no início da noite, principalmente depois do espetacular sequestro do guerrilheiro José Arribias e da presidenta do PS. E não menos importante, a quase “certeza” de que o sequestro do Todo Poderoso, também, pode ter ocorrido sob as ordens do mesmo mandante: o General. O auditório da Comando da Brigada Niederauer está superlotado. O General autorizou a entrevista. As maiores redes de televisão do Brasil estão transmitindo ao vivo. Na hora marcada, 19 horas, o General entra no recinto. Como sempre, muito bem fardado, vestindo roupa camuflada. Ele até poderia utilizar a bota da Cavalaria como parte do uniforme, pois ele é oriundo da Arma de Cavalaria. Mas, prefere se vestir como veste a sua tropa, desde o infante ao intendente. Ficou acertado, através do oficial de Relações Públicas, que o General faria um discurso e depois seriam realizadas três perguntas acordadas entre as emissoras e jornais presentes. O General inicia: “Santacruzenses, povo patriota! Santa Cruz estava numa ditadura de Esquerda há décadas, apenas o povo ainda não havia percebido. Antes o povo não enxergava isso, agora, após um governo de Direita, os olhos se abriram. Mas, em função de um trabalho sujo e traidor, “descondenaram” uma liderança e a colocaram, via autoritarismo, seja judicial seja político, no poder: o atual presidente. Porém, o povo vivenciou a liberdade nesse período de governo de Direita e essa ideia de liberdade veio para ficar na essência do patriota. É muito difícil, muito doído, ver como a ignorância de uns os torna, de certa forma, felizes. Enganosamente felizes. Somos um país de quase dez trilhões de dólares de PIB, fora as riquezas da Floresta Equatoriana e a nossa produção industrial e do campo. Somos uma nação riquíssima que a Esquerda deseja para si! O tal do “perdeu mané” não nos liquidou, ao contrário, fez ferver o sangue de liberdade e patriotismo. Depois prenderam mais de dois mil patriotas, homens, mulheres e crianças, além de idosos, e as tornaram “terroristas”, responsabilizando-os de invasão do prédio da Eclésia. Pensaram, que com essa atitude desumana e má, os patriotas ficariam com medo de serem presos também. Só que agora, podem vir com tudo, nós resistiremos. Eles não são a maioria. Nós é que somos a grande maioria! Em relação às Forças Armadas, só “meia dúzia de melancias” estão com eles, o resto está conosco, em corpo, como a minha tropa, ou em mente, nas orações por Santa Cruz afora. Deus nos indica, a cada dia, o melhor caminho. Estamos prestes a ser atacados por forças militares do Exército e da Aeronáutica, pelo menos, a mando do presidente e do comandante do Exército. Desejam nos “esmagar”, nos destruir completamente. Que venham! Não estamos sós nessa batalha! Cada centímetro desse solo gaúcho já foi pisado por heróis da nossa história, em todos os séculos desde o descobrimento de Santa Cruz pelos portugueses. Cada acre dos pampas tem o sangue do gaúcho em defesa dos seus ideais. Não é a morte que tememos. Nada tememos! Só Deus. Em relação ao ministro Todo Poderoso, ao guerrilheiro José Arribias e à presidenta do Partido Socialista, sim eles estão presos aqui conosco. Estão vivos e sem sequelas. Se uma bomba for atirada aqui em Santa Maria, ela cairá sobre a cabeça deles. É o momento de o presidente provar a sua amizade por eles. Nós estamos em Santa Maria, mas o povo está em Santa Cruz inteira. Nós somos, também, o povo! E o nosso poder se projeta nele, o povo”. O General termina e os seus olhos brilham de emoção. Os jornalistas falam entre si, talvez mudem as perguntas. Depois de um tempo, o oficial Relações Públicas consegue organizar os jornalistas. A primeira pergunta: “Por que o senhor sequestrou essas pessoas? O General responde: “Elas são grandes articuladoras políticas da Esquerda, sendo responsáveis diretas por ações graves contra a população e contra o país, inclusive a luta armada. Ao retirá-las dos seus campos de atuação, a Esquerda perde uma parte da “cabeça pensante”. Foi uma estratégia”. Há um “zum, zum, zum” na plateia. Após retornar o silêncio, uma repórter pergunta: “O senhor vai colocar os seus prisioneiros como “alvo” para as tropas do governo que o atacarem?”. O General calmamente responde: “Ninguém, nenhuma ameaça, sairá daqui de Santa Maria ilesa. Nós lutaremos. Quem não estiver conosco, então estará contra nós. Eles serão, como todos os voluntários aqui de Santa Maria somos, os alvos prioritários. Primeiro, eles morrerão. Não estamos defendendo uma simples propriedade, estamos defendendo o Brasil!”. Novamente o vozerio aumenta no auditório. Parece que as perguntas são refeitas a cada resposta. A última pergunta é feita por um dos mais antigos repórteres: “Senhor General, o senhor falou em Ditadura de Esquerda, será que, com o senhor, estaremos caminhando para uma Ditadura de Direita?”. O general bebe um pouco de água e diz: “ Meus respeitos, senhor repórter Alexandre. Eu admiro muito o seu trabalho. Um General, seja Aníbal, em Cannas; seja Caxias, em Itororó; quer vencer a batalha e impor a sua força militar ao seu inimigo e derrotá-lo. Não pode o sangue dos seus soldados ser vertido para o mal. Porém, somente o povo é o dono do seu destino e aquele que o povo escolher para lhe representar, esse escolhido decide para o bem do povo. Desde jovem cadete, na Academia Militar, entreguei a minha vida, por juramento, à minha pátria. Se Deus permitir que nossa batalha seja vitoriosa, Ele também me orientará para manter o Brasil livre e o seu povo liberto. Há respostas que somente Deus as tem”. Em seguida, o General se levanta e sai. Abandona uma multidão inebriante.

Elias Do Brasil


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