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EPISÓDIO NR 32 - O JOVEM GENERAL – passeio a cavalo (2)

Atualizado: 3 de dez. de 2023


Matias é um primeiro sargento oriundo do Santo Aleixo. Veio para o Exército para fugir da fome e da miséria do sertão nordestino. Ele conheceu o General em Goyaz, quando o General comandou o Batalhão de Forças Especiais. Sua vontade de aprender e a sua resistência física e mental, comprovada nos cursos que fez, logo chamou a atenção do comandante. Juntos, cumpriram muitas missões de instrução e operações conjuntas com outras Forças. Dali para frente, onde o General fosse designado, ele chegava logo depois, indicado pelo amigo. Homem calado e de poucas palavras, extremamente competente e fiel. Domina com maestria a arte da Arma Branca. Hoje, ele é o segurança pessoal do General. No descampado do Campo de Instrução de Santa Maria, onde fica o Centro Hípico da Guarnição de Santa Maria, o General e Denise envoltos no prazer de cavalgar juntos, nem percebem o perigo tão próximo. O atirador, debaixo de uma árvore, busca um bom ângulo para atirar. O alvo em movimento e encoberto por pequenos arbustos não lhe facilita a mira. Tem que acertar. A arma, uma carabina “Rossi Puma, calibre .44 Mag”, tem muito boa precisão até a distância de 100 metros. O atirador, percebendo que o casal se aproxima de uma área sem obstáculos, aponta a arma, faz o apoio do tronco da árvore, realiza a pontaria e toca o gatilho com o dedo indicador. Prende a respiração e sente uma lâmina fria no pescoço. “Baixa a arma ou fica sem pescoço”. O sargento Matias fala calmamente e exerce pressão na lâmina do facão. O atirador, surpreendido, e percebendo o perigo que passa, abaixa a carabina, enquanto o General e Denise somem no horizonte, num galope. “Jogue a arma no chão, bem à frente” – manda o sargento – “Agora senta no chão, bem devagar”. O atirador treme as pernas e obedece. Ele sente o sangue escorrer no pescoço. A lâmina é muito afiada e cortou levemente a sua pele. “Agora, coloque a mão direita espalmada no tronco da árvore e deixe a mão esquerda nas suas costas” – manda Matias. Sem entender muito o porquê de ficar assim, o atirador obedece. Quando a mão se espalma no tronco áspero, a lâmina do facão sibila no ar e bate fortemente nas pontas dos dedos indicador, médio e anelar, que saltam longe com a força do impacto. O atirador solta um grito, quase um berro. Matias vai à frente e pega a carabina. Em seguida aponta para a testa do atirador, já desesperado. “Quem mandou você?”. O atirador, chorando de dor, mas preocupadíssimo com aquele cano encostado na sua testa, responde: “Ninguém, fiz por minha vontade. Sou vereador em Santa Maria e tentei fazer essa loucura, mas estou arrependido!”. Matias pergunta: “Você é comunista, seu “cabra da peste?! É comunista, é?”. O vereador urina nas calças. Matias, manda que ele retire a camisa e envolva o ferimento com o pano. Em seguida, descarrega a carabina, retirando, inclusive, o cartucho da câmara. Entrega a arma ao vereador e manda que ele a segure na altura do rosto com a coronha para baixo. Em seguida tira algumas fotos dele nessa posição, além de uma em “close” do rosto. Depois pega a arma de volta. Ato contínuo, prende o homem com algemas pela frente para facilitar que ele segure o ferimento com a outra mão. Dois minutos depois seguem andando a pé pelo pasto.

Elias Do Brasil



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1 comentario


Jeffer Bedram
Jeffer Bedram
25 sept 2023

"Quem tem pai não morre pagão" dito popular bem aplicado nesse sua crònica. Parabéns Elias

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