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EPISÓDIO 9: O JOVEM GENERAL – maragatos

Atualizado: 3 de dez. de 2023



Depois de três horas na SC-290, a Brigada Blindada faz um “alto-horário”. As viaturas passam para o acostamento, dando passagem aos motoristas civis. É momento de um breve descanso, de fazer alguma pequena manutenção numa ou outra viatura e, também, de a tropa consumir um lanche. Rapidamente se monta uma barraca num pequeno descampado, onde o General se reunirá com os comandantes. Durante o deslocamento, várias vezes o general da Divisão de Santa Maria tentou ligar para o General. Todas, o General não atendeu. “Onde eles estão?! Alguém me diga precisamente onde eles estão!”. O general da Divisão de Santa Maria está possesso, quase sem controle. De Farroupilha exigem uma solução. Até de Porto Seguro alguém ligou. O major Assistente-Secretário liga mais uma vez. “Alô?”. O major quase dá um salto para entregar o telefone. “É ele, general!”. O general da Divisão de Santa Maria arranca o telefone da mão do major. “Eu não vou mais prender você, seu “desertor”! – esbraveja – “Vou esganá-lo até a morte!”. O General toma chimarrão até a “bomba roncar” e passa a cuia para o CHEM. Ele e os seus comandantes formaram uma “roda de mate”, sentados em banquinhos de madeira. Em seguida diz: “General, quando o senhor entender que estou “em combate” pela paz, talvez o senhor me respeite mais do que um dos seus capitães”. Do outro lado da linha: “Capitão é muito!” – se torna sarcástico – “Agora você “virou estrela”, general! Está na televisão. Pronto, já conseguiu o que queria. Agora pode voltar para casa. Pedirei ao Comandante Militar do Sul que não o puna. Direi que teve um momento de loucura, de stress, qualquer coisa que o convença!”. Há um silêncio. “General, tenho que continuar com a minha missão”. Desliga. Em seguida o General recebe do comandante do Esquadrão de Cavalaria Mecanizado a informação de que o pessoal das duas viaturas Cascavel, em reconhecimento, observou uma formação de tropa fortemente armada, em posição defensiva, na entrada de Sete Povos. Pelo número de material e pessoal, imaginam que se trata de dois Regimentos de Cavalaria Blindada, um de Sete Povos e o outro de Charqueada. Quase ao mesmo tempo, dois cavaleiros “pilchados” (camisa de manga comprida, lenço, bombacha e bota) se aproximam da barraca. Os cavalos estão inquietos, se movimentam de um lado e do outro. Mas, as mãos experientes firmam as rédeas e controlam os belos animais. Em seguida se apeiam. “Gostaria de falar com o “generar”” – diz, com um forte sotaque gaúcho, o mais velho com barba grande e chapéu caído atrás do pescoço. O lenço vermelho, típico dos “maragatos” revolucionários farroupilhas (1893), lhe cobre boa parte do pescoço. “Sou o General, pode falar.” O General se levanta e cumprimenta os dois gaúchos. “Bem, seu “generar”, me desculpa os modos, mas sou o dono dessa propriedade, tanto do lado esquerdo como do lado direito da rodovia e mais onde some o horizonte. Não digo isso para me exibir, mas para oferecer ao senhor e para toda a sua tropa tudo que precisarem, desde comida à bebida e quanto mais necessitar. Temos carne de boi e ovelha, de frango e pato, também, leite em abundância, mais arroz e outra coisas que o seu “cozinheiro” precisar. Até um “vinho da colônia” se o senhor permitir.” – brinca. O general, pego de surpresa, diz: “Primeiramente agradeço muito. Mas, o senhor tem conhecimento de que somos quase 4.500 militares?”. O gaúcho olha para o seu filho mais novo e responde: “Eu alimento todos! Mas, se por acaso eu não conseguir, tem mais de cem estancieiros daqui até Farroupilha que ajudarão. Não se preocupe. E damos os combustíveis também. E não me venha falar o tanto de tanques para encher de combustível. Dinheiro para salvar Santa Cruz não faltará!”. O General olha bem nos olhos daquele patriota rude e diz; “Desculpe-me. Nem perguntei o seu nome”. O gaúcho responde: “Domingos José de Almeida e o meu filho se chama Antônio Vicente de Fontoura Almeida. Somos descendentes de farroupilhas e temos os nomes dos nossos antepassados”. O general, ainda surpreso, olha para os seus oficiais e diz: “Então, entrem na “roda de mate”, vamos tomar um chimarrão e prosear um pouco”. Os oficiais se entreolham tão surpresos como o seu comandante. Com mais de uma hora de atraso, o Comboio segue destino. Dois Regimentos de Cavalaria Blindada estão, logo ali, a menos de 40 quilômetros.

Elias Do Brasil

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