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EPISÓDIO 8: O JOVEM GENERAL – Regimentos no caminho

Atualizado: 3 de dez. de 2023



O General observa atentamente o sobrevoo de um helicóptero por cima do acampamento. O CHEM se aproxima e pergunta: “General, a imprensa deseja entrevistá-lo. O que faço?”. O General olha para o amigo e responde: “Providencie um “cercado” para eles e irei lá”. “Outra coisa – continua o General – manda duas VBR “Cascavel” saírem antes do comboio para fazer um reconhecimento da rodovia”. O coronel presta continência e diz: “Já estão prontas, General. Sairão agora”. Pouco depois, a uns cem metros dali, dentro de um “cercado” improvisado, os jornalistas se acotovelam quando veem o comandante da Brigada Blindada se aproximando. O General tem um porte altivo. A boina preta lhe cobre a cabeça, com um caimento da borda até próximo à orelha esquerda. Usa roupa camuflada, com a camisa de mangas compridas enroladas nos braços até os bíceps, acima dos cotovelos, e coturnos pretos. Possui a imponência do cavalariano. Seu olhar é tal que não deixa dúvidas sobre quem é o líder. Após um pequeno alvoroço, com os repórteres querendo a melhor posição, a melhor imagem, o CHEM consegue organizar a turba. Ficou combinado que não haveria perguntas, somente um pequeno discurso do general. Ele inicia: “Senhores e senhoras, Santa Cruz não pertence a ninguém a não ser ao povo santa-cruzense. Portanto, quem dá as ordens e toma as decisões sobre o povo é o próprio povo. Não são alguns políticos que decidem, não são alguns juízes, não são qualquer outro que se ache maior que o povo. Porque, não há num país livre um cidadão, uma pessoa, uma autoridade que seja maior que o povo e a sua vontade. Só Deus. Nós, os militares, somos parte do povo, somos a “parte armada”. E é justamente porque os militares têm como instrumento de trabalho as armas e pratica a profissão militar, que nos cabe proteger a Pátria e o seu povo, quando há necessidade de cumprir o rigor da lei e da ordem e, ainda, proteger a soberania nacional. O Exército é do povo e para o povo. Por isso juramos dar a própria vida em defesa da Pátria. Quando o povo não é ouvido, quando o povo é proibido de se manifestar pacificamente, quando o povo é preso e arrebanhado aos cárceres, sem julgamento digno, a democracia está correndo sério risco. E quando há perigo, quando a Constituição é negada ao povo, quando o arbítrio se torna comum, o povo fica indefeso e a Pátria pode se tornar inabitável ao povo de bem. Aí, nós, os militares, como ocorreu historicamente, agimos. Quando a política não resolve pelos seus próprios meios, a mesma política “se apossa” dos meios militares para resolver a questão. Isso se denomina “guerra”, já disse Clausewitz. Porém, ainda não estamos em guerra. Sairemos, a partir de agora, num deslocamento que inicia pacífico, com destino à Farroupilha. Até lá, se chegarmos vivos, espero que Santa Cruz esteja liberto!”. O General se afasta rapidamente, enquanto os repórteres tentam fazer perguntas. Gritam até, mas nada acontece. Meia hora depois, imediatamente atrás do Esquadrão de Carros Mecanizados (Esqd C Mec), embarcado numa Viatura Tática Leve, o General autoriza o comboio partir. Com uma profundidade de aproximadamente 20 Km (da primeira à última viatura), o comboio seguirá até Sete Povos, a aproximadamente 100 Km dali, ainda pela SC-290, depois seguirá mais 70 KM até a cidade de Charqueada. Em cada uma dessas cidades há um Regimento de Cavalaria Blindada, subordinados à Divisão de Exército de Santa Maria. O General acaba de ser avisado que “caminhoneiros” já formam uma longa fila atrás do comboio. Eles disseram que irão junto com o comboio até Farroupilha. Dos 20 quilômetros iniciais da profundidade do Comboio, agora já são mais de 30 quilômetros de extensão. Os veículos civis que vêm em sentido contrário ao Comboio passam buzinando e abanando as mãos. As notícias voam(...).

Elias Do Brasil

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